
IMPLANTES DE DRENAGEM PARA GLAUCOMA
Bruno Machado Fontes
Luiz Alberto S. Mello Jr
Implante de Ahmed
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O implante de drenagem é um recurso
que faz parte do arsenal terapêutico empregado
para o controle do glaucoma. Estes dispositivos apresentam
um tubo que comunica o meio intra-ocular a um elemento
posterior que pode ser um disco, prato ou explante circundante,
o qual define um espaço subtenoniano para onde
é drenado o humor aquoso. Desta forma o tubo
ou implante de drenagem permite uma nova via para o
efluxo do humor aquoso diminuindo desta forma a pressão
intra-ocular. Os materiais empregados para a confecção
dos implantes são dotados de baixa atividade
biológica, como o silicone, polimetilmetacrilato
ou polipropileno.
Basicamente o que diferencia os implantes entre si
são o formato, o tamanho e a presença
ou ausência de válvula. Com o aumento da
área do implante ocorre uma maior drenagem do
humor aquoso, sendo esta propriedade válida até
um certo limite a partir do qual um incremento na área
do implante na mesma localização não
resulta em uma diminuição da pressão
intra-ocular significativa. Alguns implantes possuem
um segundo prato para ser fixado em um local diferente
do primeiro prato comunicando-se com este através
de um segundo tubo. |
A presença de válvula minimiza a incidência
de hipotonia no período pós-operatório
recente, quando a capsular tissular, que é um dos mecanismos
reguladores da drenagem do humor aquoso, que envolve o elemento
posterior do implante, encontra-se em processo de formação.
Alguns modelos de implante são não-valvulados,
por exemplo, os de Molteno, Susanna, Baerveldt e Schocket.
Por outro lado, os de Ahmed, Krupin e Joseph são alguns
tipos de implantes valvulados. No Brasil, os implantes mais
utilizados são o de Ahmed, Molteno e Susanna.
Em linhas gerais, os implantes de drenagem estão
indicados quando houver falhas de trabeculectomias prévias
para controlar o glaucoma ou em situações onde
existir um risco elevado de falência de trabeculectomia,
como, por exemplo, glaucomas neovascular, secundário
a uveíte em atividade, associado a pseudofacia ou afacia.
O implante de drenagem pode ser fixado em qualquer quadrante
ocular; porém, preferencialmente é implantado
na região temporal superior, em virtude da facilitação
da técnica cirúrgica. O prato, disco ou elemento
circundante do implante é fixado posteriormente às
inserções dos músculos retos, diminuindo
desta maneira a possibilidade de anteriorização
e extrusão do implante. O tubo pode ser posicionado
na câmara anterior, câmara posterior (em alguns
casos de pseudofacia ou afacia) ou cavidade vítrea
(via pars plana em olhos afácicos ou pseudofácicos
submetidos a vitrectomia posterior) com a finalidade de drenar
o humor aquoso. Parte do tubo mais próxima à
inserção intra-ocular é coberta com um
manchão de esclera, dura-máter ou pericárdio
para evitar-se uma exposição futura do tubo.
Em implantes não valvulados é recomendado que
se proceda a uma ligadura temporária do tubo com o
objetivo de diminuir a incidência de hipotonia no período
pós-operatório precoce. A utilização
de antimetabólitos associados ao implante de drenagem
é controversa.
Algumas das complicações relacionadas aos
implantes de drenagem são: toque endotelial ou iriano
do tubo, hipotonia, atalamia, descolamento cílio-coroidal,
exposição e extrusão do implante. Apesar
das complicações intra e pós-operatórios,
o implante de drenagem constitui-se em uma modalidade terapêutica
de grande valor para obter-se o controle do glaucoma em algumas
situações.
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