
Como estão os cursos de formação
de especialistas em Oftalmologia?
Prof. Dr. Paulo Augusto de Arruda Mello
Professor Adjunto da Universidade Federal de São
Paulo / Escola Paulista de Medicina
Coordenador da Comissão de Ensino do Conselho Brasileiro
de Oftalmologia
Diretor de Publicações da Sociedade Brasileira
de Oftalmologia
Apesar de ser um otimista creio que muito ainda necessita
ser aprimorado no ensino da Oftalmologia.
Em recente edição da revista Survey of Ophthalmology
há um artigo muito importante escrito pelo Andrew
G. Lee MD da Universidade de Iowa – USA com o título
The New Competencies and their Impact on Resident Training
in Ophthalmology que deve ser analisado por todos os colegas
envolvidos na formação de especialistas.
Lee afirma que as mudanças ocorridas ultimamente
no mundo exigem profundas alterações no ensino
da Oftalmologia. O artigo revisa as forças externas
que geraram o desenvolvimento na educação
do oftalmologista. Define as novas capacitações
e as atuais ferramentas para medi-las. Introduz conceitos
atuais na pós-graduação médica
e sumariza um plano de implementação na Oftalmologia.
Há anos temos afirmado que o avanço tecnológico,
a renovação dos costumes e do comportamento,
e as perspectivas do mercado de trabalho trouxeram mudanças
rápidas no ensino. Precisamos de ousadias para poder
atender às necessidades do povo brasileiro e assumir
uma política adequada para resolver os problemas
de saúde ocular em nosso país. A adoção
de novos valores e atitudes é fundamental na procura
de uma melhor qualidade.
Em nossos dias formar um jovem médico com conhecimento
técnico adequado para enfrentar a atual realidade
do mercado de trabalho e com aprimorada formação
humanística é um grande desafio. Estimular
atos de cidadania é fundamental nos nossos cursos.
O médico moderno precisa ter um profundo conhecimento
dos conceitos que norteiam a medicina atual exercendo-a
com amor ao próximo. Essa é a nossa razão
de ser.
Precisamos seguir normas rígidas para garantir
a qualidade dos Cursos de Especialização e
das Residências com atenção no presente
e visão do futuro. Há a necessidade de implementar
a pré-avaliação do especializando,
estimular as avaliações durante o seu curso,
bem como promover uma pós-avaliação,
a já famosa revalidação dos Títulos
de Especialistas, tão desejada pela Associação
Médica Brasileira.
Os programas de Educação Médica Continuada
(EMC) precisam ser revistos. Hoje, neste crítico
momento econômico do país, gastamos muito do
nosso dinheiro e do nosso precioso tempo em formas questionáveis
de aprendizado. Será que realmente há a necessidade
de tantos encontros médicos? Será que ao promover
mais uma reunião estamos prestando um serviço
à Oftalmologia Nacional? Será que estamos
indo de encontro às nossas reais necessidades?
Já dispomos de novos métodos pedagógicos
como, por exemplo, a comunicação à
distância aplicados à medicina, que têm
oferecido nos últimos anos a possibilidade de transmitir
conhecimento de forma eficiente através de uma tecnologia
de excelência, não nos obrigando a ter inúmeros
contatos pessoais e institucionais, freqüentar simpósios
e congressos especializados com propósitos educacionais.
Um esforço muito bem elaborado, apropriadamente
coordenado, e padronizado de todos os envolvidos no ensino
da especialidade, desde a formação do jovem
médico até nos programas de EMC, será
preciso para vencermos o desafio da evolução.
Realizaremos em São Paulo, no próximo SIMASP
da Universidade Federal de São Paulo/ Escola Paulista
de Medicina um Fórum de Ensino da Oftalmologia coordenado
por mim e pelo Dr. Rubens Belfort Jr. Além dos colegas
que estudam e estão preocupados com as inovações
nas formas de transmissão do conhecimento em nosso
país, também contará com a participação
do Dr. Denys O’Day – Diretor Executivo do American
Board of Ophthalmology dos EUA e Dr. Miguel N. Burnier -
Chairman da McGill University do Canadá.
Fizemos um amplo questionário a todos os coordenadores
de Cursos de Especialização em Oftalmologia
e a todos seu alunos para mapearmos o desejado e o existente
no país. Vamos discutir democraticamente os nossos
novos caminhos.
A criação de novos processos e o abandono
das formas ineficientes de ensino precisam ser estimulados
nos nosso cursos médicos apesar de haver forças
restritivas atuando no sentido de impedir que a situação
se modifique.
Precisamos de ousadias. Ousadias prudentes.
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